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UM POUCO SOBRE A CRISE ECONOMICA MUNDIAL DE 2008

Atualizado: 18 de abr. de 2021

A crise econômica mundial, que eclodiu com maior intensidade no segundo semestre de 2008, é considerada como uma das mais rigorosas que surgiram. Sua origem é explicada pela série de eventos que ocorreram com a globalização da economia, como a ampla desregulação do setor financeiro, redução dos juros, alta liquidez dos agentes econômicos, forte aumento da competividade, entre outras causas apontadas.


Os primeiros sinais mais evidentes de que algo não estava bem na economia datavam de anos passados. A elevada oferta de crédito acompanhada de taxas de juros baixos para estimular a economia, convivendo em um mercado cada vez mais desregulamentado, formaram uma bolha de crédito na economia que em algum momento, certamente iria se desfazer.



Como nada foi feito para impor maior controle e equilíbrio as operações de mercado, os problemas se agravaram, produzindo turbulências históricas no ano de 2008.

Desde os primeiros anos deste século, foram percebidos sinais de aumento da inadimplência no mercado imobiliário dos Estados Unidos.

Os agentes econômicos e autoridades monetárias esperavam que esses distúrbios pudessem ser contornados pelos livres mecanismos conhecidos de mercado. Os ativos estavam superavaliados, e os investidores, para auferirem maior maiores ganhos, passaram a aceitar riscos muito mais elevados.


A elevada liquidez dos agentes inundou o mercado de recursos, valorizando em excesso os preços dos imóveis e estimulando os bancos a ofertarem cada vez mais dinheiro para financiamento de moradias.


Os empréstimos eram realizados sem garantias e com padrões de exigência mais frouxos. Esses débitos dos mutuários eram transformados em títulos e negociados, usando o nome da própria instituição financeira como se fossem de primeira linha.


No entanto esta onda de calotes persistiu e se alastrou, transformando-se numa grave crise econômica de repercussão mundial. Os mercados de ações de crédito e cambial de todas as economias sofreram de alguma forma, os efeitos desta crise. Essa crise, que iniciou no mercado financeiro americano, acabou se estendendo também para a economia real, atingindo a produção, o comércio e os empregos de todas as pessoas.



De maneira mais simples a origem da crise econômica de 2008 pode ser explicada da maneira seguinte. As principais economias mundiais conviveram, notadamente a partir de 2003, com taxa de juros reduzidas, estimulando a atividade de toda a economia.


Em especial, essas taxas mais baratas promoveram forte estímulos ao financiamento de imóveis nos EUA, determinando uma disparada em seus preços de mercado. Os créditos concedidos não eram de boa qualidade, porém os bancos continuaram concedendo empréstimos imobiliários, visando ganhos maiores.


Essa valorização das moradias aqueceu o mercado imobiliário, encorajando as instituições financeiras, com excesso de liquidez de caixa, a ofereceram mais créditos para o setor. Na prática, esses financiamentos tinham como garantia a valorização futura esperada dos imóveis.


CRÉDITO SUBPRIME


Nesse ambiente de euforia generalizada, as instituições financeiras passaram também a conceder créditos a compradores de mais alto risco, gerando títulos de resgate duvidoso, conhecidos por subprime. Esses novos mutuários não possuíam renda compatível com a dívida assumida, oferecendo garantias insuficientes.


Os bancos concediam créditos em escala crescente e buscavam recursos, vendendo os títulos de divida. Como cobravam altas taxas de juros de seus clientes subprime, podiam pagar remuneração atraente aos investidores na colocação dos títulos, cirando assim, uma boa demanda para esses papéis.


Esses títulos “podres” foram negociados em todo o mercado e serviram de lastro também para operações mais arriscadas de derivativos

Assim, apesar da origem criticável desses títulos, as instituições financeiras passaram a negociá-los em todos os mercados internacionais apoiados em suas próprias marcas comercias conhecidas.


Com isso, disseminaram o risco nas principais economias. Entre os principais investidores desses papeis de alto risco, estão incluindo os grandes bancos, os fundos de investimentos e fundos de pensão. Essas negociações de risco foram apoiadas pelas agências de classificação de risco, ao atribuírem bons ratings para esses títulos podres


O sucesso dessas operações de financiamento imobiliário e consequentemente emissões de títulos subprime, estava, em boa parte, vinculado à manutenção de baixas taxas de juros na economia.


Quando os juros começaram a subir no mundo, como estratégia de politica monetária para combater a inflação que surgia, houve o esperado desaquecimento da economia e, em consequência, uma queda nos preços de mercado dos ativos e aumento da inadimplência.


Os mutuários subprime, diante do encarecimento dos juros e da redução dos empregos, não podiam mais pagar suas dívidas. Muitos deles eram proprietários de um bem, cujo valor de mercado era inferior ao montante de suas dívidas.


REPERCUSSÕES DA CRISE NO MUNDO


Diversos bancos não suportaram as perdas com os títulos e com a inadimplência dos mutuários, e apresentaram sérios problemas de liquidez. Algumas instituições financeiras de renome são vendidas com urgência, outras declaram concordata, e em outros casos, o Tesouro dos EUA assume o controle de empresa de hipoteca.


As Bolsas de Valores foram fortemente atingidas, apresentando altas desvalorizações nas cotações das ações negociadas. Houve, ainda, grande migração de recursos do mercado acionário para outros investimentos, entendidos como os mais seguros, principalmente os títulos de Tesouro dos EUA


A economia mundial passou a conviver com forte risco sistêmico, motivado por uma grave crise de confiança. A predominância da incerteza fez com que as instituições recusassem nas concessões de créditos, reduzindo fortemente a liquidez dos agentes econômicos.


A redução da oferta de crédito fez com que as empresas revissem seus projetos de investimentos, contraindo a atividade da economia.





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